top of page

Da engenharia de redes à engenharia humana

Foto do escritor: Nuno Teixeira
Nuno Teixeira
4 de out.
3 min de leitura

Atualizado: 5 de out.


Nuno Teixeira a ler, de camisa azul e óculos

Numa rede de telecomunicações, ninguém espera pela avaria para fazer manutenção.

Durante 27 anos foi esse o meu trabalho. Geri projetos desde o levantamento das necessidades passando pela implementação até à aceitação final, depois operações e manutenção de redes. Quando alguma coisa falhava, a minha equipa tinha uma regra: só parávamos quando o problema estivesse resolvido. Resolvido queria dizer duas coisas. Encontrar a causa, e montar o que impedia a mesma falha de voltar. Um 'remendo' aguenta só até à próxima trovoada.

Com a nossa vida, fazemos quase sempre o contrário. Esperamos pela avaria. Tratamos o sintoma que faz mais barulho e seguimos em frente. Umas férias para o cansaço. Um emprego novo para o chefe difícil. Uma conversa séria em casa quando a distância já se sente à mesa.

Resulta durante um tempo. Depois o alarme volta a tocar, noutro sítio.

O painel a piscar

Numa central, o painel de alarmes mostra onde a falha aparece, o sintoma. Raramente mostra onde ela nasce. Uma quebra de sinal num ponto da rede pode vir de um equipamento a muitos quilómetros dali. Quem corre sempre para o alarme mais alto pode passar a noite a trocar peças que estavam boas.

A vida tem o mesmo painel, com outras luzes. Um casamento em crise. Os filhos cada vez mais longe. As contas que não saem do mesmo sítio. O cansaço que já não passa ao fim de semana.

Cada luz parece um problema à parte. Quase nunca é. A vida funciona como um sistema. Puxas de um lado, aperta do outro. As horas a mais no trabalho saem de casa. A tensão de casa entra no trabalho. E quem trata cada alarme à vez anda sempre um passo atrás.

O meu ponto de viragem

Em 2020, o país fechou-se em casa e o ruído parou. Sem deslocações e sem a pressa de sempre, fiquei sozinho com uma coisa que andava a abafar há anos.

Cumpria tudo o que se esperava de mim, no trabalho, em casa e com a família. E vivia em modo automático, no modo fazer, fazer fazer. Sentia que o meu lugar era outro, e não sabia qual.

Fiz o que sabia fazer. Um diagnóstico. Uma análise de perfil comportamental mostrou-me de onde vinha o desgaste. O que eu fazia no trabalho já não batia com a forma como funciono. Todos os dias gastava energia a vestir uma personagem, e chamava-lhe profissionalismo.

Mais tarde, na formação em Coaching Integral Sistémico, encontrei o resto. Padrões que se repetiam sem eu dar por eles. Crenças antigas que ainda decidiam por mim. Com isso à vista, fiz à minha vida o que fazia às redes: um mapa. Onde estava e onde queria estar, área a área.

Tenho 52 anos e três filhos. Mudei de rota, com a vida já cheia.

Manutenção preventiva

Nas redes, a manutenção preventiva existe por uma razão simples: a avaria sai sempre mais cara do que a revisão. Com as pessoas, a conta é a mesma. Paga-se noutra moeda: anos de vida, saúde, relações.

A revisão cabe em duas perguntas. Onde estou? Para onde quero ir?

Parecem fáceis. Quase ninguém as responde por escrito, área a área. De cabeça, todas parecem já respondidas.

É a isto que chamo engenharia humana: tratar uma vida com o rigor com que se trata uma rede. Procurar a causa antes de mexer. Medir antes de decidir. E montar o que impede a mesma avaria de voltar daqui a três meses.

Faz a revisão hoje

Dez minutos, uma folha e uma caneta.

  1. Escreve quatro áreas: trabalho, casa, saúde e dinheiro.

  2. Dá a cada uma uma nota de 0 a 10 para onde estás hoje.

  3. Ao lado, escreve a nota de onde gostarias de estar daqui a um ano.

  4. Olha para a maior distância. É o alarme mais alto.

  5. Pergunta-te: esta distância nasce aqui, ou noutra área?

A quinta pergunta é a que interessa. Muitas vezes, a resposta está numa área onde a nota até parecia razoável.

Na Sessão de Alinhamento Estratégico fazemos este diagnóstico às 11 áreas da tua vida: espiritual, parental, conjugal, filhos, social, saúde, servir, intelectual, financeiro, profissional e emocional. A emocional é a que sustenta as outras dez. São 45 minutos, online e sem custo. Sais com a distância à vista, área a área, e com um primeiro passo e uma data para o dar.

Há quanto tempo está o teu painel a piscar?



Comentários


Não é mais possível comentar esta publicação. Contate o proprietário do site para mais informações.
bottom of page